líria porto
que vontade que vontade
enfrentar o meu espelho
cortar bem rente os cabelos
tirar deles toda a tinta
e deixar que as cãs me venham
flocos de neve branquinhos
sobre cabeça tão quente
cadê coragem?
que vontade que vontade
vestir-me largos vestidos
nada mais a me apertar
nem roupas e nem dinheiro
ser eu natural feliz
e em meu aniversário
fincá-las uma por uma
as mais de sessenta velas
num bolo cheio de doce
cadê coragem?
que vontade que vontade
com a alegria que tenho
rir das rugas rir de tudo
falar das minhas verdades
sem nenhum constrangimento
ir lá onde o amor está
desafiar a rival
dizer-lhe eu sou mais eu
esse amor agora é meu
cadê coragem?
que vontade que vontade
romper os grilhões da vida
com minha cara coragem
porém pergunto ao espelho
cadê coragem
cadê coragem?
*